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sexta-feira, 27 de agosto de 2010

lifelines.

- 1973.



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pegou o livro e foi se sentar no lugar de sempre, aliás, todos os lugares lá eram marcados, todos tinham um/a dono/a.
diferente dela, ele odiava café, mas sempre pedia uma xícara. gostava de sentir o aroma, pois o fazia lembrar de casa. enquanto o café e o chá de morango não chegavam, ele abriu o livro e um pedaço de papel caiu.

"Espero que goste do presente. Espero também ter meu livro de volta, se você estiver disposto a devolver, pode aparecer na casa de muro laranja, que fica em frente a praça da rua de baixo. (J.Q.)"

ele nem esperou o pedido chegar, foi correndo para o pequeno apartamento onde dormia. foi buscar o livro, queria a encontrar logo, só que isso não aconteceu. ao chegar em casa e procurar o livro, ele resolveu esperar um pouco mais. então se jogou nas almofadas da varanda e foi ler o tal livro, afinal era um presente dela.
o relógio marcava 10:45 da manhã, quando ele leu a primeira frase. em cada página ele sentia o cheiro dela, tentava imaginar o motivo que a levou a escolher aquele livro e como ela sabia que o livro dela estava com ele. antes de terminar o último capítulo, ele marcou a página e fechou o livro. percebeu que aquele livro era diferente, não tinha nome de editora ou número de edição. notou também que logo abaixo do título, haviam duas letras: J.Q.

# você é minha história.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

1973.


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e lá estava ela novamente.
na mesma mesa, com a mesma calça rasgada e o mesmo tênis cinza.
com fones no ouvido e com um livro na mão, ela fez o pedido de sempre e mergulhou na nova história.
dessa vez quando a moça trouxe o seu pedido, ela não deixou o expresso esfriar. pelo contrário, tomou ele quente e sentiu a língua arder. logo em seguida mastigou as torradas, numa tentativa inútil de aliviar a dor.
limpou a boca com o guardanapo e voltou para a leitura.
antes disso olhou para o banco em frente, o mesmo em que encontrou o par de olhos cor-de-mel. mas, o banco estava vazio e nenhum sinal daquele moço do cabelo de gel.
mesmo sem entender, sentiu que seu coração ficou desapontado.
vinte-três minutos depois ...
ela fechou o livro e se dirigiu ao caixa.
pagou a conta e caminhou até o estacionamento.
novamente largou o livro para trás, mas dessa vez, colocou um bilhete dentro. sim, era para ele.
minutos depois, ele entrou e foi até a mesa onde ela tinha o costume de sentar. encontrou o livro e sorriu.
mal sabia ele que ali dentro estava a sua chave. chave que abriria a porta para ele se encontrar novamente com aqueles olhos castanhos.

# minha memória toca as mesmas velhas canções.

terça-feira, 25 de maio de 2010

fireflies.


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entrou e sentou.
imaginou que estava em casa, pois colocou os dois pés em cima da cadeira ao lado. tirou o fone do ouvido esquerdo e levantou a mão direita. o seu pedido era uma xícara de café expresso e duas torradas. colocou o fone novamente e abriu a página 13 do livro que estava lendo. não levantou a cabeça nem na hora que o pedido chegou. deixou o café esfriar e tomou tudo com um só gole.
antes de comer as torradas pediu uma caneca de leite quente, sem açúcar e sem chocolate. gostava do sabor do leite puro. quando o leite chegou, ela fechou o livro, tirou os fones e pegou o primeiro pedaço de torrada.
foi então que percebeu que estava sendo observada pelo olhar curioso dele.
não sorriu, não esboçou nenhum sentimento e logo sem seguida voltou para sua leitura.
terminou de comer, fechou o livro e se dirigiu até o caixa.
pagou a conta e foi embora.
ele ficou a observando. quando viu que o carro dela já não estava mais no estacionamento, se levantou e foi até a mesa onde ela estava sentada. foi então que percebeu que ela havia esquecido o livro para trás.
guardou o livro dentro da jaqueta e foi pra casa.
em um bolso ele levava o livro e no outro a esperança de se encontrar novamente com aqueles olhos castanhos.

# perdido em um balé silencioso.