Mostrando postagens com marcador projeto. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador projeto. Mostrar todas as postagens

sábado, 14 de agosto de 2010

Um pro outro.


.
o ônibus não demorou para vir. tinha apenas um lugar vago, ele disse para ela se sentar, mas ela respondeu:
- só sento se você se sentar no meu colo.
- é melhor a gente ficar em pé.
o jeito dela, às vezes, o assustava e ao mesmo tempo o atraía.
- cadê a música?!
- a bateria acabou.
- por que você não canta?!
- só se você fizer dupla comigo.
não se sabia qual dos dois era pior.
chegaram no terminal e o ônibus dela já estava estacionando. ele a acompanhou, não só até a fila, ele entrou no ônibus com ela.
se sentaram na última fileira, ela na janela e ele no corredor. ele deitou no ombro dela e ficou.
ficaram em silêncio até a hora de saltar.
já era hora de dar sinal, então ela mexeu os ombros e disse:
- vem comigo ou vai continuar a passear de ônibus?!
saltaram e ela pegou na mão dele. ela gostava de andar de mãos dadas, lhe dava segurança.
chegaram em frente um portão laranja com muro verde, ela começou a tirar as coisas de dentro da bolsa, precisava encontrar as chaves.
foi então que ele começou a rir. mandou ela se virar e puxou um chaveiro do bolso dela.
- é isso que você tá procurando?!
ela guardou as coisas de volta na bolsa, abriu o portão e disse:
- sinta-se em casa.

# nem todo meio tem começo.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

ice cream.


.
- eu vou embora.
- pois é, ficou tarde, né?!
- não, eu vou embora do estado.
- pra onde?! quando?!
ele sentiu uma dor, como se estivesse prestes a perder uma parte do corpo.
- vou para o Maranhão, daqui cinco dias.
era essa a notícia que ela recebeu pelo celular, que a deixou tão perturbada e a fez querer ir até a sorveteria.
- acho que vou sentir sua falta.
- promete que vai me visitar?!
- desculpe-me, mas eu não sou bom com promessas.
- acho que acabamos por aqui.
- ainda temos cinco dias.
se levantaram parar ir até o caixa, ele pagou a conta e depois se dirigiu até a porta, daí ela voltou com uma moeda para comprar um bombom. na hora de sair, ela pegou na mão dele e assim, de mãos dadas eles foram para o ponto de ônibus.
chegando lá, ela tirou o bombom de dentro da bolsa.
- pra você.
- pra você.
e foi ali que nasceu o costume de comprar um único bombom pra os dois. era o favorito dela, que logo depois se tornou o favorito dos dois.


# preciso inspirar-me em vocês.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

aquilo que o amor faz.


.
o táxi estacionou em frente uma sorveteria que ele nunca tinha percebido. a qual tinha os letreiros coloridos - que acendiam a noite.
ela estava tirando o dinheiro do bolso pra pagar a corrida, enquanto ele já estava pegando o troco.
- minha mãe me ensinou que damas não pagam contas.
ele saltou do carro e abriu a porta pra ela.
- já gosto da sua mãe.
ela o pegou pela mão e entrou com ele. não se deixou intimidar pela companhia, pegou o maior pote e foi se servir. colocou cinco bolas de sorvete de creme e muita cobertura de limão. ele pegou um pote menor e fez uma mistura de morango com banana, sem cobertura.
ele já ía se sentar na mesa do meio, quando ela o puxou e disse:
- não podemos sentar aqui.
foram até a mesa do canto direito e ele perguntou:
- e nessa aqui?!
ela respondeu com um sorriso. ele puxou a cadeira pra ela e se sentou do seu lado esquerdo.
ficaram em silêncio por um tempo, então ela começou a falar:
- meu pai sempre me trazia aqui, dizia que sorvete é o melhor remédio. sempre que estou nervosa ou com problemas é pra cá que eu venho. sempre tomo o mesmo sorvete e sento na mesma mesa. quando meu sorvete acaba, eu viro a cadeira e fico a observar todos os que entram e saem, imaginando a história e o motivo que os trouxeram até aqui.
depois de dizer isso, ela começou a rir.
- e você só faz isso com seu pai?!
- eu fazia. hoje em dia, faço sozinha.
- não sou o seu pai, mas se estiver afim de uma companhia, eis-me aqui.
- será um prazer.
eles trocaram de lugar pra observarem todos de um ângulo melhor. ele nunca tinha feito isso, então ela começou a brincadeira.
ficaram lá por horas, rindo e repetindo as doses de sorvete. ela sempre tomando o de creme com cobertura de limão, e ele com a mistura de morango e banana.

# a regra é simples e sem exceção.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

o amor, você e eu.


.
dessa vez, foi ela quem chegou primeiro.
estendeu uma canga colorida, se deitou e fechou os olhos.
vinte três minutos depois ...
sim, ela resolveu tirar uma soneca e foi quando abriu os olhos e viu que ele estava velando pelo seu sono.
- tem tempo que você chegou?!
- uns vinte minutos.
- por que não me acordou?!
- estava divertido te ver dormir.
- cadê a música?!
- cadê o livro?!
ele deu um fone pra ela e disse:
- hoje eu trouxe um adaptador.
ela tirou da sacola uma almofada e o entregou
- acho que hoje viemos preparados.
e começaram a rir.
ela abriu o livro e continuou o parágrafo que ficou pela metade no dia anterior. já ele trouxe uma playlist nova.
àquela cena poderia ser romântica aos olhos de quem estava passeando pelo parque, mas para ele era algo maior.
novamente perderam a noção das horas, só que diferente do dia anterior não foi o guarda quem os tirou de lá e sim um telefonema que ela recebeu.
- aconteceu alguma coisa?!
- eu preciso ir.
- você está bem?!
- você pode vir comigo se quiser.
- se você disser pra onde e o que tá acontecendo, talvez eu vá.
- você vem?!
ele ficou desconfiado, mas não poderia deixar ela ir embora.
- posso ir com essa roupa?!
- se quiser ir sem, por mim, tudo bem.
- já que é assim ...
ele levantou a camisa e ela puxou o braço dele.
- não temos tempo para isso.
foram para frente do parque e ela deu sinal para um táxi.
- para a sorveteria da orla.

ele não imaginava, mas ela estava prestes a mostrar um lado dela que poucos conheciam.

# e eu me pergunto se eu já passei pela sua mente.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

ao sentir o amor.


.
todo mundo sempre a chamou de Malu, mas ele não - ele gostava de chamá-la de lu(a).

se conheceram quando ela estava terminando o ensino médio e ele já nem estudava mais. o primeiro encontro aconteceu em um parque da capital. ela estava sozinha e procurava um lugar na grama, pra deitar e lê. ele estava deitado embaixo de um jamboeiro, ouvindo música.
- posso me deitar do seu lado?!
- só se você ler pra mim.
- vai compartilhar o fone de ouvido?!
- quer que eu abaixe o som?!
- assim está ótimo, posso começar?!
horas se passaram, o parque estava quase vazio e então o guarda apareceu, dizendo que já estava na hora de fechar e que eles precisavam ir embora.
ele se levantou e estendeu a mão para ajudá-la.
- que cavalheiro o senhor.
foi naquele dia que ele se apaixonou, não por ela e sim pelo sorriso dela.
foram juntos até o ponto de ônibus. ele resolveu pegar o mesmo que ela, a desculpa que ele usou foi que a leitura estava interessante.
enquanto esperavam o ônibus, passou um peugeot 206 azul, daí ela disse:
- é um desses que eu quero.
logo em seguida vinha o ônibus, então ele fez sinal e disse:
- por enquanto, vamos nesse aqui.
se sentaram, ela continuou lendo e ele prestando toda atenção do mundo, não na leitura e sim nos lábios dela.
chegaram no terminal, ela foi procurar o ponto dela e ele a acompanhou. fato é que ele não queria deixá-la ir embora.
- poderíamos nos encontrar amanhã?!
- no mesmo lugar?!
- mesmo horário?!
- mais cedo?!
- eu levo o livro.
o ônibus dela chegou, ela lhe deu um beijo no queixo e disse:
- vá pela sombra.
ela também se apaixonou, não por ele e sim pelo cheiro dele.
- qual seu nome?!
- Maria Luisa e o seu?!
- Carlos Edmundo, seu criado.

# você me quis e assim me conquistou.